domingo, 19 de junho de 2016

VOLTANDO À VACA FRIA



VOLTANDO À VACA FRIA
Como prometido aqui estou narrar o seguimento da desventura desta rua que pelos responsáveis deve ser desconhecida ou então votada ao esquecimento quiçá por não ser local de passagem e, por isso, não dar nas vistas.

Na primeira publicação insurgia-me indignado por ter uma rua invadida por capim com o beneplácito de quem por obrigação, devia velar para que tal não acontecesse.
Mas, do mal o menos, poucos dias passados após a publicação, eis que dois funcionários aparecem e  fazem o corte. Agradeci mentalmente e só não tirei o chapéu porque não o uso. Agradecimento a destempo porque tal como futurava e à semelhança de anos anteriores o serviço ficou incompleto como as fotos mostram. 


Depois do corte e varrido devia, penso eu, ser imediatamente apanhado para se evitar que a rua fosse atapetada pela acção do vento. 
Na eventualidade  de alguém se interessar terá  assim de haver trabalho dobrado.
Aguardemos pois que tudo se resolva e a rua que já de si não tem beleza ao menos esteja limpa de ervaçal.

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quinta-feira, 2 de junho de 2016


ISTO ACONTECE EM SÃO FIEL.
NEM TODAS AS RUAS PERTENCENTES AO LOURIÇAL TÊM O MESMO TRATAMENTO. ORA VEJAM ESTAS FOTOGRAFIAS E AJUÍZEM. E, QUANDO A ERVA FOR CORTADA PENSAM QUE É VARRIDA E APANHADA? NEM PENSEM!. À SEMELHANÇA DOS OUTROS ANOS ELA SERÁ CORTADA - QUANDO FOR -   E DEIXADA  ATÉ SE FINAR. TRISTE REALIDADE QUE SE VAI REPETINDO TODOS OS ANOS. 
SE NA EVENTUALIDADE HOUVER ALGO DE NOVO VOLTAREI PARA DAR NOTÍCIAS.


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domingo, 20 de outubro de 2013

CRÓNICA DESTES DIAS


CRÓNICA DESTES DIAS

Tenho em meu poder um texto escrito pelo professor Hugo Correia Pardal, antigo preceptor do Instituto de Reeducação de São Fiel. A crónica é bela e por isso merecedora de ser divulgada, tanto mais que o principal personagem - já falecido - era um homem que todos conheciam; um ser apoucado, andarilho e muito amigo das rezas que talvez por isso, o chamavam António das Avé Marias.





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"Uma sombra não será mais mais leve e ténue que a sua presença.
Entra de vez em quando na sala de aula, sub-repticiamente, e vai sentar-se numa carteira vaga, sem proferir palavra e sem outro gesto que não seja o de uma vénia profunda, persignando-se e olhando o crucifixo pendente na parede, ao alto. Daí a pouco, como por encanto, tem à frente de si os petrechos escolares todos, passados à sorrelfa pelos alunos, começa de fazer umas garatujas no papel, e a aula prossegue, como se nada de novo ali tivesse acontecido, nada.
Se o Sr. Inspector entrasse neste momento, era talvez o escândalo, porque o adventício, já do meio-dia para a noite, a enruçar, alquebrado, está no crepúsculo da vida e no entanto ali está, entre os educandos, como uma criança que vai à escola...
Toda a gente o conhece no termo de Alpedrinha, pobre de pedir, em sua mansa obsessão deambulatória de vagabundo, filho espúrio daquela terra morena da Atalaia, a freguesia-mãe de prole desenganada e desenvolta, e que devia pasmar ao dá-lo à luz, como ave que sem o saber tivesse andado a chocar ovo alheio, de uma alheia espécie.
Mas que era aquilo?!...
Um triste, enfezado e canhestro. diz-se dele que tem a mania religiosa, mal aferidos pela medida do senso comum os cinco celamins do entendimento. Talvez por isso, procura volta e meia a escola que foi outrora a mansão dos padres jesuítas de S. Fiel, centro atractivo das esparsas populações serranas, ao derredor. Se bem que isto seja hoje um reformatório, entra por aqui dentro sem pedir licença, tu-cá, tu-lá, e depois de largo tempo em oração, na igreja, digna~se assistir à aula e comer no refeitório, de gorra com uma rapaziada bravia, mas compreensiva e fraterna, com a qual estamos em dizer que muito teriam a lucrar, por vezes, os meninos bonitos colegiais.
No momento em que ele surge agora, após a leitura da lição, professor e alunos conversam acerca do sentido do trecho, a enternecida parábola tradicional que toda a gente conhece e começa assim: - Vinha o lavrador da arada, / Encontrou um pobrezinho...
O mestre repara no recém chegado e não pode deixar de lhe sorrir, que aquele velho é na verdade um menino, e a despeito dos seus cabelos cinzentos, da sua figura amarfanhada e castigada por todas as necessidades e por todas as intempéries, há nele algo de tão flagrante como surpreendentemente cândido e infantil. Tem de si para si que será um pobre de espírito, desses a quem pertence o reino dos céus, conforme a promessa divina. 
E a este pobrezinho de Cristo, um bom-serás, chama-o simplesmente pela sua graça à falta de alcunha mais convinhável para uma página de novela - António. Assim lhe chamam também as cachopas das redondezas, fazendo-o de fel e vinagre, se adregam de topá-lo a jeito, vendo-o tão inofensivo como um anho pascal, tão puro como um lírio branco:
- António queres casar comigo? Dás-me um beijo, António?
Ele todo se ruborizava, como um medronho maduro, e em sua voz de falsete recalcitra: - Desanda de ao pé de mim, não me venhas a atentar, que estás em pecado mortal...
Desenha no ar o sinal da cruz, num gesto pulcro de esconjuro, e vai de novo prostrar-se ante a portada do primeiro templo que se lhe depara, em oração e desagravo...
Agora, porém, está aqui na aula, a ouvir a história do lavrador da arada, o que levou consigo o pobrezinho, a assentou em sua casa à sua mesa, o que lhe deu do melhor que tinha para cear, e do melhor que possuía, lhe mandou fazer a cama para se deitar.
Mas aí mesmo, em leito tão bem ajeitado, chamavam alta noite os seus gemidos o desvelo do lavrador e aí mesmo - quem tal diria! - como Deus Nosso Senhor, - Achou-o crucificado...- Porque em boa verdade era Nosso Senhor, era Deus...
A classe fica como que em suspenso, num enleado encantamento, até que o primeiro sorriso céptico, aflorando, dá azo à pergunta do mestre: - Seria isto ainda possível, hoje em dia? O mesmo sorriso filosófico diz que não. Isso era no tempo em que Nosso Senhor andava pelo mundo...
E o professor continua: - Tão certo como ainda haver lavradores, há ainda pobrezinhos, e enquanto pobrezinhos houver, Deus andará ainda pelo mundo, com a sua angústia e a nossa piedade. Por isso disse Deus: - O que fizerdes aos pobres a mim o fareis...
Neste momento os olhos do professor volvem-se casualmente para o lugar que veio ali preencher aquele filho da miséria e do infortúnio, o demente e mendigo António. Mas ele já lá não está. Como entrou se esgueirou, imponderável e imperceptível, como nos versos de Antero - tão leve como a sombra sobre a água...
Os alunos voltam-se e verificam também a sua ausência, intrigados. E fica nos seus olhares uma surpresa. Uma ironia, talvez. Decerto, uma interrogação: - Pois seria Nosso Senhor?..."

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Carlos Vaz de Deus
Conforme exponho, o boletim das eleições já de 2005, alusivo aos órgãos que ganharam e superintendem na autarquia central e local, dando/colocando no verso a cara 20 conterrâneos, todos adultos que fizeram várias promessas (por cumprir), onde colocava em particular destaque a recuperação das azenhas (O povo só ambiciona uma) o 2º mandato está próximo do fim, será que o ponto de particular destaque também fica por cumprir.

sexta-feira, 9 de março de 2012

E-MAIL HOJE ENVIADO À EXMª, SENHORA PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE LOURIÇAL DO CAMPO

Exmª. Senhora
Presidente da Junta de Freguesia de Louriçal do Campo
Louriçal do Campo

Exmª. Senhora:


Visitei há dias por motivos óbvios, o cemitério da nossa freguesia e alguém me chamou a atenção, para o estado degradado em que se encontram os muros quer no interior como no exterior.

De imediato tirei algumas fotografias- que junto envio – pois achei que os mesmos estão bem degradados o que causa uma má impressão não só para as pessoas que residem na freguesia, como para aqueles que vêm de fora e que não devem levar uma boa imagem no que respeita ao estado de conservação daquele espaço.
Eventualmente a razão deve-se ao desconhecimento deste facto de V. Exª.  pois caso contrário, acredito que tivesse já mandado reparar e limpar um lugar já de si triste e mais triste ainda como está.
Com os meus cumprimentos, subscrevo-me

                                                                               De V.Exª.

                                                                           Atentamente,
CONDE DA GARDUNHA








A RESPOSTA DA EXMª. PRESIDENTE DADA 1 ANO E MESES DEPOIS FOI:                  Muito lhe agradeço o interesse mas, como facilmente pode verificar as paredes do cemitério estão em recuperação, já estando totalmente recuperadas duas delas. A intervenção teve início em meados do ano de 2012.

Com os melhores cumprimentos
Paula Custódio Reis


(NÃO COMENTEI)

                                                                                                                         

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O COLÉGIO DE SÃO FIEL E O SEU FUNDADOR



Arrimado ao sopé da encosta Sul da serra da Gardunha e a umas centenas de metros da freguesia de Louriçal do Campo, espraia-se um lugar chamado oficialmente Casal da Pelota, embora hoje mais conhecido por São Fiel.
Neste lugar bucólico de meia altitude onde abundam os bons ares e, os bons cheiros das árvores aquando da florescência; da alfazema, do rosmaninho e do alecrim; do doce aroma do feno e do acre da esteva e da giesta; do mosto da uva e do bagaço da azeitona; do odor forte que a terra desprende quando recebe as primeiras chuvas ou o da lenha quando arde nas pedras dos lares em noites de invernia; onde as aves, rainhas dos ares, nos brindam com os seus variados trinos; onde o sol no seu zénite nos abrasa por vezes e o céu se apresenta com um azul imaculado como se fora o primeiro dia da sua criação e nos deixa absortos, é nesta harmonia, que se ergue com imponência,, um edifício com uma igrejinha à sua ilharga e, que foi em tempos idos o célebre Colégio de São Fiel .

  Esta vetusta casa, foi erigida por um homem nascido em Louriçal do Campo a 4 de Fevereiro de 1808 e que pelo baptismo recebeu o nome de José Bento Ribeiro.
Vale a pena explanar um pouco sobre a sua vida. Depois dos estudos preliminares, ingressou na Universidade de Coimbra e, em 1830 quando cursava o terceiro ano de Direito, dois padres do convento de Varatojo, – Torres Vedras – iniciaram naquela cidade uma missão que se prolongou até Domingo de Ramos. Dos muitos estudantes que acorriam para ouvirem as prédicas dos religiosos, estavam José Bento Ribeiro e um amigo íntimo este já no último ano da Faculdade.
Depois de muito conversarem, ambos resolveram abraçar a vida religiosa. Entraram para o convento de Varatojo e José Ribeiro já na clausura recebeu o nome de Frei Agostinho da Anunciação. Tomou o hábito nesse mesmo ano professando no ano seguinte.
Em 1833 - já ordenado presbítero - as perseguições eram inclementes o que consequentemente levou ao encerramento dos conventos.
Frei Agostinho refugiou-se na sua terra natal em casa dos pais. Mas, como também até aqui a perseguição tivesse chegado, resolveu ir com a sua mãe e irmãos para Lisboa só regressando quando a situação acalmou.
Chegado à sua terra, dedicou-se incondicionalmente à nobre missão de educador instruindo crianças nas letras e catequese. Pouco tempo decorrido, projectou construir o colégio dos meninos órfãos para, assim poder exercer esse mister com maior proficiência.

Começou por conseguir da Igreja dos Camilos um corpo feito de ossadas de mártires encontrados segundo se crê nas catacumbas de Roma e revestido com cera. Trazia já o nome de mártir São Fiel e foi levado para a igreja de Louriçal do Campo onde ainda hoje é venerado.


Sob esta invocação deu inicio à obra do seu tão almejado asilo a um quilómetro da freguesia, lugar que como já referi, passou a ser conhecido por São Fiel que à altura era um ermo.
Em 1858 quando a casa estava quase concluída tendo já recolhido alguns alunos órfãos ou crianças totalmente desamparadas, um enorme incêndio devorou-a e, os alunos  recolhidos no orfanato de Campolide. Contudo, Frei Agostinho não esmoreceu o seu entusiasmo porque de imediato, tratou da sua reconstrução e com tal vigor que já em 1860 se encontrava a casa de novo povoada. Neste mesmo ano, começaram ali a prestar óptimos serviços cinco irmãs da caridade, duas portuguesas e três francesas. Sabe-se que em 1862 habitavam o asilo 45 órfãos e alguns pensionistas.
Nesse tempo, o reino encontrava-se em completa desordem e, o rei D. Luís, não conseguia pôr a roda no eixo. As perseguições às ordens religiosas recrudesciam e as irmãs da caridade, em 1860, foram expulsas de São Fiel sob os mais fúteis pretextos. Retiraram-se para Lisboa juntando-se a outras da mesma congregação que prestavam serviços noutros lugares do país e, mais tarde, embarcadas para França onde foram recebidas de bom grado e apreciados os seus bons serviços. O que uns desperdiçam outros aproveitam.
Com a expulsão das Irmãs juntamente com outras dificuldades na sustentação, deslocou-se Frei Agostinho a Lisboa onde ia com alguma frequência a fim de tratar assuntos inerentes ao funcionamento da sua casa encontrando muito doente o confessor da Infanta D. Isabel Maria que o assistiu até à morte.
A Infanta escolheu-o para seu confessor o que não só lhe permitia ir a São Fiel as vezes necessárias, como lhe oferecia valiosos auxílios para o sucesso da sua empresa.
Entretanto Frei Agostinho, já há muito tempo pensava em entregar aquela instituição aos padres jesuítas mas, sempre encontrou entraves, até que numa das viagens que fez a Roma juntamente com a Infanta D. Isabel , conseguiu do Papa Pio IX de quem Frei Agostinho beneficiava de uma certa familiaridade, o consentimento para tal. Apesar de muitas reservas e alguma celeuma, tomaram os jesuítas a direcção do orfanato em 1863.
Quanto ao seu fundador, sabe-se que a Infanta a pedido dele e do Papa, dispensou-o para poder recolher-se no convento de Varatojo, onde foi eleito Guardião, depois Presidente e Mestre de noviços. Como sempre tinha sido um empreendedor e um apaixonado pela instrução, abriu no próprio convento uma escola para rapazes e no lugar de Varatojo uma escola para raparigas que para a qual teve um subsídio da infanta D. Isabel Maria.
Frei Agostinho da Anunciação que se dedicou totalmente ao seu semelhante expirou aos 65 anos de idade a 14 de Março de 1874    
Já sob a custódia da nova direcção, foram admitidos em maior número, alunos pensionistas e também alunos em regime de gratuitidade. Todavia, como verificaram a necessidade de alojar os familiares dos educandos quando os visitavam, construíram para o efeito um grande edifício defronte do Colégio que ainda hoje é conhecido pelo hotel, onde trabalhavam permanentemente cinco funcionários só para atenderem as necessidades dos hóspedes.
O número médio anual de alunos andava entre os 200 e os 3oo. Calcula-se que até ao ano de 1903 tenham passado por este estabelecimento 2.100 indivíduos. Em 1910 aquando da extinção, o colégio tinha 400 alunos.
Quanto ao ensino, era de primeira água e a disciplina rígida, sendo a par com o Colégio de Campolide os melhores do país.
 A educação ministrada pelos Jesuítas assentava nos princípios da democracia pura; nenhuma distinção no tratamento entre ricos e os mais necessitados, somente os méritos eram graduados e os alunos eram preparados para todas as durezas da vida. Glorificavam o trabalho, fazendo-se crer nos altos benefícios para cada um e para a comunidade social.
Desde todos os tempos, os colégios sob a égide destes religiosos primavam por uma educação esmerada e por isso eram cuidadosos na escolha dos seus pedagogos tanto assim que no colégio de São Fiel sempre brilharam altos espíritos.
Importa dizer que nas férias e, muitas das vezes, ainda durante o ano lectivo, os Jesuítas recebiam o clero para retiro espiritual; ensinavam a catequese às crianças do campo e ajudavam piedosamente toda a gente de algumas léguas em redor. Contava o meu avô que traziam grandes panelas com sopa para um largo onde a distribuíam juntamente com o  pão aos mais precisados.
Dos mais preclaros professores que aqui serviram podemos citar os seguintes: - Pe. Cândido de Azevedo, biólogo distinto. Pe. Joaquim Costa, homem que percorrera as cinco partidas do mundo e que segundo consta encantava ouvi-lo ensinando geografia. Segundo os escritos, era um homem concentrado e que silenciosamente caminhava sempre solitário pelos compridos corredores do edifício. Os irmãos padres Pereira Dias, um, professor de matemática e o outro de matemática e francês. O padre Joaquim Lima que morreu arcebispo de Bombaim e que foi um insigne orador fluente que prendia a atenção de quem o ouvia e que leccionava matemática. Também os padres Castelo, Nazaré, Moreira, Martins, Zimmermann, Silvano, Rebimbas, amigo íntimo de Egas Moniz, grande neurologista e prémio Nobel  e tantos outros que constituíam o corpo de professores de elite. O staff era composto por 22 elementos.
No campo da investigação científica também este colégio se notabilizou extraordinariamente. Aqui nasceu em 1902 a célebre revista científica “Brotéria” fundada pelos padres Joaquim da Silva Tavares, ilustre naturalista, Cândido Mendes de Azevedo, biólogo distinto e Carlos Zimmermann
A redacção e a administração da revista situavam-se no mesmo colégio. Falta dizer só para informação que esta revista ainda perdura.
Tinha este colégio também um museu que primava pelas colecções da flora autóctone, de lepidóptros (borboletas) e zoocecídeas não só de Portugal como de África, bem como as colecções científicas da Brotéria. Tudo desapareceu aquando da implantação da República em 1910.
Aqui há uns bons anos atrás, provoquei um diálogo com um simpático e bem-falante ancião natural da Soalheira que servira no Colégio. Indagado sobre como era a vida dentro daquele estabelecimento de ensino, avivaram-se-lhe os olhos, quiçá de saudade de um tempo já distante. Ajeitando-se melhor na laje em que nos sentámos começou: - Sabe, os alunos eram muitos, o colégio estava cheio e havia muitos padres, para ter uma ideia, as missas eram celebradas na igrejinha que está ao lado e começavam às 5 horas da manhã e sempre com duas e três celebrações ao mesmo tempo que era para todos os padres terem tempo de celebrarem a sua missa diária antes de começarem as aulas e, o que era mais de admirar é que em todas havia fiéis a assistirem.
O colégio, – continuou o meu amigo – vivia das mensalidades dos alunos, de alguns donativos e do que a terra produzia. Como o senhor deve saber as terras eram muitas e boas e tudo era cultivado. Possuíam também muitos animais que contribuíam para o sustento de todos.
E os alunos? – Perguntei! - Os alunos eram muito bem tratados até tinham direito a um copo de vinho aos almoços de Domingo. Sabe, estudaram aqui muitas pessoas que foram muito importantes como um senhor doutor Egas Moniz pessoa muito afamada. Sei sim – respondi! – E também sei que um outro não menos conhecido aqui estudou que se chamava Augusto Gil grande poeta, o poeta da Balada da Neve e de outras lindíssimas poesias. Mas, muitos outros ali foram educados e instruídos que bons serviços prestaram depois ao país.
Depois, - continuou - com uma certa mágoa na voz: Veio a República e tudo acabou; sabe, quando não há religião já a coisa vai mal.
Com este desabafo, terminámos a nossa  agradável conversa naquele já distante fim de tarde do mês de Agosto. Agradeci o tempo que me dispensou  ficando grato pelas elucidações e, principalmente pela conversa em si. O meu dialogante, estou convicto que também, porque o transportei para um passado que lhe era grato e do qual tinha muitas e boas recordações.
A história desta casa não termina aqui. Aquando da implantação da República, o Estado tudo usurpou: Edifício, terras envolventes, bem como todos os bens que não lhes pertenciam. Todavia, estas são contas de outro rosário e que possivelmente servirão para outro estudo.

SAUDAÇÕES AMIGAS
Conde da Gardunha

      PS. AQUI FICA UMA ACHEGA DE UM LEITOR DO MEU BLOG QUE COM A SUA INFORMAÇÃO VEIO ENRIQUECER ESTE ESTUDO.


Com os meus melhores cumprimentos, sou a informar que fiquei muito satisfeito ao ler o seu blog versando sobre a terra onde também nasci a 04 de Agosto de 1945. Com total isenção de critica ou correcção ao exposto, quero propor algo que julgo ser justo e merecedor de menção no “ Colégio de S. Fiel e seu fundador”.. Refiro-me ao Sr. Manuel António Ribeiro Gaspar que, ao tomar conhecimento por terceiros, que seu irmão Fr. Agostinho, planeava fundar um colégio para meninos em Alpedrinha e que, para tal, já havia contactado o Sr. A.M. Corrêa da Silva Sampaio propondo comprar-lhe o edifício que já havia sido residência dos Jesuítas e que Fr. Agostinho conhecia bem pois fora lá que estudara gramática latina. Na posse desta informação, o Sr. Manuel António Ribeiro Gaspar prontamente entrou em contacto com seu irmão a quem ofereceu gratuitamente não apenas o terreno para construção do Colégio mas também uma outra propriedade. As suas desculpas por este meu atrevimento. Votos de um Bom Ano.           

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

AGRADECIMENTO

Numa das minhas crónicas teci algumas considerações sobre as obras de requalificação feitas no Monumento. A certa altura do artigo, referia-me aos ciprestes que se encontravam derrubados causando muito mau aspecto.
Pois bem, hoje fiquei muito agradado ao constatar que as árvores tinham sido já removidas libertando assim o espaço de uma péssima imagem de abandono.

Dos ciprestes que jaziam por terra ainda foi salvo um que o recolocaram na sua cova primitiva. Porém, um cipreste terá que crescer erecto e bem aprumado para que se orgulhe da sua raça. Ora quem  replantou esta árvore da família das pináceas não teve esse cuidado e deixou-a de cerviz curvada desafiando a lei da gravidade, conforme a fotografia testemunha.
Antes que volte a cair e, para isso basta um golpe de vento mais forte, não seria descabido se mandassem alguém a aprumá-la como deve ser aprumado um cipreste digno desse nome e, enterrar uma estaca que o ampare no seu crescimento. Pode ser que assim se salve e não tenha a mesma sorte das seus irmãos que tiveram uma vida breve.
Aos senhores que os meus conterrâneos lhes conferiram  poder, aqui fica mais esta minudência tão fácil de resolver. Eu, o povo e o cipreste todos agradeceremos.

Saudações Amigas
Conde da Gardunha

  Regra geral todas as ruas têm uma placa toponímica nas duas extremidades com o nome que lhe deram. A rua Presidente Craveiro Lopes também ...